Declaração de fim de Candidatura à Presidência do PSD

 

O que mais preocupa
não é o grito dos violentos,
nem dos corruptos,
nem dos desonestos,
nem dos sem-carácter,
nem dos sem-ética.

O que mais preocupa
é o silêncio dos bons!

Martin Luther King

Não consegui que os órgãos de informação de grande audiência passassem, para os eleitores, as minhas ideias, tendo estas chegado, por isso, apenas a uma muito escassa minoria dos militantes.

Venho, em consequência, informar que a minha candidatura não recolheu as 1500 assinaturas de militantes exigidas para a sua formalização, cujo prazo hoje expira. A minha candidatura fica, por isso, impedida de continuar, neste preciso momento.
Três causas fundamentais, por grau de importância, impediram esta candidatura independente de chegar ao fim, causas que terão que ser modificadas se o PSD (e Portugal) quiser mudar de rumo:

  1. A possibilidade, permitida pelo Estado de Direito (?), de os órgãos de informação darem cobertura a algumas candidaturas e ignorarem, ostensivamente, outras. A mudança fica impossibilitada, porque o que é novo e diferente é excluído pelos Directores de Informação dos órgãos de comunicação social de grande audiência, em particular dos canais de televisão.
  2. A exigência, absurda, constante dos Estatutos e do Regulamento Eleitoral do meu Partido, de que cada militante só possa propor a eleições uma única candidatura. No actual estado do Partido isto é (abusivamente) interpretado como a declaração do voto que, por definição, é secreto. Isto gera medo nos militantes e muitos optam mesmo por não subscrever nenhuma candidatura.
  3. A exigência, irrazoável, constante dos mesmos documentos, de cada candidato, para poder formalizar a sua candidatura, precisar de 1 500 assinaturas de militantes, num universo de cerca de 60 000 militantes com capacidade eleitoral (2,5%). Para comparação, numa candidatura a Presidente da Republica são precisas 7 500 num universo de, aproximadamente, 9 milhões de eleitores (0,08%).

Estas causas, adicionadas da insuficiência e desactualização dos endereços de correio electrónico dos militantes, que urge rever e melhorar substancialmente, impediram de ir a votos esta candidatura independente, livre de quaisquer compromissos com o aparelho, com financiamentos ou com pessoas.

Quero deixar claro que, na obtenção de assinaturas, mesmo para uma candidatura independente como esta, a blindagem dos Estatutos seria ultrapassável e contornável, mas, para o conseguir, seria necessário lançar mão de práticas e de expedientes incompatíveis com a ética e a moral exigíveis a quem se candidata a Presidente de um Partido Político e, consequentemente, a Primeiro-ministro. Não pactuo com tais expedientes.

Esta foi, no entanto, uma experiência muito gratificante e uma boa aprendizagem, que reforçou a minha vontade de contribuir para a mudança no PSD e em Portugal. Estarei sempre neste combate, nos momentos difíceis do PSD. Descansarei nos tempos fáceis.

Quero agradecer a todas as companheiras e a todos os companheiros que, com as suas 1173 assinaturas, quiseram permitir a hipótese de mudança que esta candidatura independente representava. Agradeço essa atitude e a enorme coragem de, sem qualquer contrapartida a não ser a da esperança, com a sua assinatura, a terem revelado.

Apelo, firmemente, aos meus Companheiros que prosseguem como Candidatos e aos Militantes para que, após a eleição, nos unamos à volta do líder eleito, seja ele quem for, para o ajudar a transformar o PSD no Partido de que os Portugueses urgentemente necessitam para governar Portugal.

Lisboa, 23 de Maio de 2008

António Neto da Silva