Apresentação de Candidatura à Presidência
Quero, aqui, na sede nacional, anunciar-vos formalmente que sou candidato à liderança do Partido Social Democrata. E aqui me apresento, numa tentativa de credibilizar a política e de restabelecer a confiança dos Portugueses numa sociedade que se pretende melhor, mais qualificada e, acima de tudo, mais segura em todas as suas vertentes.
Nesta candidatura recuso discutir pessoas mas quero tornar públicas e discuti-las, ideias para o futuro de Portugal, da Europa e do Mundo.
Quero, também, com clareza, dizer-vos que será difícil ser eu a vencer estas eleições. De facto, não tenho por trás de mim o aparelho do Partido, nem concelhias, nem distritais, nem notáveis tradicionais muito influentes no Partido. Também não tenho atrás de mim nenhum grupo de comunicação social. E não negociarei apoios. Mas é precisamente, também isso, que distingue a minha candidatura de todas as outras anunciadas. Sou o único, com mãos livres, para liderar a mudança profunda de que o Partido e Portugal necessitam. Terei comigo, se os Órgãos de Informação quiserem passar a minha mensagem, porque só assim chegarei aos eleitores, todos aqueles militantes que já não querem mais do mesmo, que perceberam, interiorizaram e sentem dolorosamente na pele que aqueles organismos e pessoas que dominaram a vida política nos últimos 15 anos, não conseguiram resolver os problemas de Portugal, não mostraram uma visão para Portugal e demonstraram, pela prática e pelos factos, que não conseguem nem conceber, nem implementar, as estratégias e as medidas de que Portugal precisa para ser um País de sucesso, com um papel no mundo, assente na modernidade e aríete do futuro. A minha vontade e a minha força é a de fazer com que todos, no PSD, deixemos de viver divisões e trabalhemos, juntos, para defender o Primado do Direito e os Direitos do Homem. Que trabalhemos para garantirmos às gerações futuras que defenderemos e aperfeiçoaremos a civilização que herdamos e o Planeta que habitamos.
Estou aqui para unir, não para separar. Para ser solidário, não para hostilizar. Para cooperar, não para competir.
Estou aqui, para garantir aos Portugueses que serão respeitados na sua liberdade e nos seus bens, no direito ao trabalho baseado em competitividade e não em subsídios, à diferença em função do mérito e não à igualdade do que não seja igual. Garantir aos Portugueses que não serão, como estão a ser, esmagados pela falta de dinamismo económico do País, onde as empresas estão emparedadas entre burocracia, favoritismos típicos do terceiro mundo e a avidez despesista dos Governos. Garantir aos cidadãos que não continuarão a ser vilipendiados por impostos que eliminam toda a iniciativa. Garantir-lhes que o mérito e o esforço lhes concederão uma vida mais gratificante. Garantir-lhes, também, intransigentemente, segurança, não só física mas também de saúde, de educação e económica.
Ora, as supostas reformas e medidas de correcção que têm sido anunciadas pelos sucessivos governos, em nenhum momento assentaram em objectivos de longo prazo para o País, mas, tão só, em objectivos de curto alcance que não ultrapassam mais do que o espaço que medeia entre duas eleições legislativas.
A solvabilidade do Estado,
da Economia, das Instituições, das Empresas
e das Famílias não pode ser gerida de forma avulsa sem
ter subjacente um projecto colectivo que seja entendido pelos Portugueses,
com clareza.
Considero, portanto, que sem uma missão clara e uma estratégia
de longo prazo, Portugal não vencerá os seus próprios desafios
e ainda menos os desafios externos que se avizinham e para os quais venho alertando,
desde há muitos anos atrás.
Por isso, o meu PSD lutará:
- Para que os nossos Governos e os Mecanismos do Estado, na ânsia de corrigirem os erros de sucessivas governações, não sufoquem a Sociedade usando meras praticas de contabilistas.
- Para que as reformas em curso não sejam implementadas de forma avulsa, sob uma visão exclusivamente economicista, criando desanimo e insegurança generalizada na educação, na saúde, na justiça, na área fiscal e na economia, pilares fundamentais do equilíbrio social.
- Para garantir a segurança dos cidadãos, em todos os domínios, sem fraquezas nem subterfúgios
- Para recuperar a Autoridade do Estado e repor o Estado como uma pessoa de bem.
- Para que as Forças Armadas reassumam a sua importância como garante da Soberania, numa dimensão moderna.
- Para afirmar Portugal no Mundo através da União Europeia e da Lusofonia mas também como pilar da Aliança Atlântica.
- Para defender o desenvolvimento da Europa e assegurar a contenção e a reciprocidade da China.
- Para implementar uma Educação para o futuro
Uma palavra, agora, sobre o nosso papel no mundo.
Identifico, como principais desafios para o Ocidente e para Portugal,
os seguintes:
- O individualismo excessivo que caracteriza os dias de hoje.
- Os fundamentalismos religiosos e os seus derivados, os terrorismos religiosos.
- O abuso de poder dos Governos nas Democracias, para o qual a justificação aparece como a necessidade de defender os cidadãos face ao Terrorismo, mas que pode vir a revelar-se tão mau para as Sociedades Livres como aquele.
- O desaparecimento das ideologias (e a consequente convergência para estruturas equivalentes a Partidos Únicos).
- A construção, em sentido unívoco, da opinião e o adormecimento consequente das consciências.
- A Globalização Competitiva com a ideologia única da eficiência e da competitividade.
- O esgotamento dos recursos naturais que sustentam a vida humana no Planeta.
Não é ignorando-os ou escondendo-os que venceremos estes desafios. É identificando-os, estudando-os e gerindo-os! Comigo, será isso que faremos no PSD.
Assim, o PSD que construirei defenderá, sem transigir:
- O Estado de Direito.
- Os Direitos do Homem.
- A defesa e a superioridade da Democracia.
- A prevalência, em liberdade, do interesse colectivo sobre os interesses egoístas do individualismo exacerbado.
- A regulamentação transparente de todos os meios de comunicação unívoca que manipulam as consciências e põe em risco o mundo do pensamento livre e o primado da razão.
- A contenção firme dos fundamentalismos religiosos, venham eles de onde vierem. O meu PSD nunca permitirá que o Estado e o poder religioso se confundam em um só.
- Que os eleitos, sejam de que partido forem, cumpram integralmente as Constituições e os Direitos do Homem, não pactuando com o argumento de que esses abusos e privações de liberdade se justificam pela necessidade de nos protegerem dos perigos do terrorismo.
- Estimulará o debate de ideias e a participação democrática dos cidadãos sobre o futuro comum.
- Que o poder legislativo/executivo nunca possa dominar o poder judicial.
- Que o nosso futuro e o das próximas gerações jamais seja posto em causa pela ideologia do crescimento económico contínuo, pelo menos enquanto as tecnologias novas não o permitam, no pleno respeito pela manutenção e renovação dos recursos essenciais à vida.
Comigo à frente do PSD, empenhar-nos-emos e lutaremos para dar as respostas adequadas a estes desafios universais, desempenhando o papel Histórico a que estamos obrigados na defesa dos valores, que nos unem, da liberdade e da plena realização do indivíduo.
Será este o meu PSD. Onde todos terão o seu papel e darão o seu contributo para as enormes tarefas que haverá a cumprir.
Viva Portugal.
Viva o PSD